Zonas de treino: como usar na corrida, bike e natação


Resumo em 15 segundos

  • Zona 1: recuperação ativa, muito leve.
  • Zona 2: treinos fáceis e longos (base aeróbia).
  • Zona 3: moderado, útil em blocos específicos.
  • Zona 4: ritmo forte controlado (intervalos).
  • Zona 5: esforço máximo, curtos e intensos.

👉 Regra de bolso: 70–80% dos seus treinos devem estar em Z1–Z2, e só uma pequena parte em Z4–Z5.


O que são zonas de treino

As zonas de treino dividem a intensidade em faixas para facilitar o controle. Elas podem ser medidas por:

  • Frequência cardíaca (FC): mais acessível para amadores.
  • RPE (percepção de esforço): escala subjetiva de 1 a 10.
  • Pace (corrida) ou potência (bike): útil para quem já tem relógio ou medidor.

Não precisa complicar: se você não tem equipamento, o teste da conversa funciona muito bem.


Explicando cada zona de treino

ZonaSensação / RPEFrequência Cardíaca (%FCmáx)Uso principal
Z1Muito leve (RPE 1–2)50–60%Recuperação, regenerativos
Z2Leve, dá para conversar (RPE 3–4)60–70%Base aeróbia, treinos longos
Z3Moderado, fala entrecortada (RPE 5–6)70–80%Ritmo controlado, provas médias
Z4Forte, quase não fala (RPE 7–8)80–90%Intervalos, ritmo de prova curta
Z5Máximo, explosão (RPE 9–10)90–100%Tiros curtos, VO₂max

Como aplicar na corrida

  • Z1–Z2: 2 a 3 rodagens semanais (30–90min). É onde você mais deve ficar.
  • Z3: blocos curtos perto de provas de 10–21km (ex.: 3×10min nesse ritmo).
  • Z4: treinos intervalados (ex.: 6×3min forte, rec 2min).
  • Z5: tiros curtos (ex.: 10×30s forte) 1x/sem, se já tiver base.

Como aplicar na bike

  • Z1–Z2: giros fáceis (60–120min). Também serve para rolo indoor.
  • Z3: blocos de 10–15min em ritmo firme, úteis em pré-competitiva.
  • Z4: intervalos longos (4–8min).
  • Z5: tiros curtos em subida ou sprints.

👉 Dica: na bike dá para tolerar mais intensidade do que na corrida, já que o impacto é menor.


Como aplicar na natação

  • Z1–Z2: educativos, técnica e séries longas fáceis (ex.: 8×200m leve).
  • Z3: séries médias (ex.: 6×300m ritmo firme).
  • Z4: repetições de 100–200m forte.
  • Z5: tiros curtos de 25–50m em esforço máximo.

👉 Dica: use contagem de braçadas e respiração como guia se não tiver relógio.


Erros comuns (e como evitar)

❌ Fazer todo treino em Z3 → parece esforço, mas trava evolução.
❌ Ignorar Z2 → é o coração do endurance, onde você mais evolui.
❌ Colocar intensidade demais → aumenta risco de lesão e fadiga.

Faça o simples: maioria em Z2 + 1 ou 2 treinos mais fortes por semana.


Perguntas rápidas

Preciso de relógio com GPS e FC para usar zonas?
Não. O teste da conversa funciona muito bem para Z1–Z2–Z3.

Quantos treinos fortes devo fazer na semana?
No máximo 2. O resto deve ser leve.

Sou iniciante, começo direto em Z4/Z5?
Não. Primeiro construa base em Z2. Depois adicione intensidade.


Conclusão

As zonas de treino não são só para atletas de elite. Para o amador, elas ajudam a evitar o erro mais comum: treinar sempre no “meio-termo”.
Faça a maior parte em Z2, adicione intensidade nos momentos certos e evolua sem se desgastar.

👉 Próximo passo: confira o artigo sobre Supercompensação (quando estiver publicado) e veja como o descanso certo transforma treino em resultado.


Referências

  1. Seiler, K. (2010). What is Best Practice for Training Intensity and Duration Distribution in Endurance Athletes? Int J Sports Physiol Perform, 5(3), 276–291.
  2. Esteve-Lanao, J. et al. (2007). Impact of training intensity distribution on performance in endurance athletes. J Strength Cond Res, 21(3), 943–949.
  3. Muñoz, I. et al. (2014). Does polarized training improve performance in recreational runners? Int J Sports Physiol Perform, 9(2), 265–272.
  4. Fitzgerald, M. (2014). 80/20 Running: Run Stronger and Race Faster by Training Slower. Penguin Random House.

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