Zona 2 na Corrida: Você Corre Rápido Demais para Ficar Resistente

Você sai de casa com a planilha indicando um “treino leve” de 45 minutos. Nos primeiros dois quilômetros, você até tenta segurar o ritmo. Contudo, a playlist toca sua música favorita, outro corredor passa por você na rua e o seu ego fala mais alto.

Sem perceber, o seu batimento cardíaco sobe. O que era para ser um treino regenerativo vira um esforço moderado. Você termina a corrida suado e ofegante, sentindo que “o treino rendeu”. Apesar disso, quando chega o dia do treino de tiro (intervalado), as suas pernas estão pesadas e você não consegue atingir as velocidades máximas.

Bem-vindo à “Zona Cinzenta”. Como treinador, eu afirmo que esse é o maior ralo de performance do corredor amador. Hoje, vamos entender por que você precisa abraçar a Zona 2 na corrida se quiser, ironicamente, correr mais rápido.

O Risco da Zona Cinzenta (Zona 3)

Na fisiologia do esporte, dividimos a intensidade do esforço em zonas de frequência cardíaca. A esmagadora maioria dos corredores amadores passa 90% do seu tempo de treino na Zona 3 (esforço moderado a forte).

Essa é a famosa Zona Cinzenta. O grande problema dessa intensidade é que ela é um “meio termo” inútil. Ela é forte o suficiente para acumular muita fadiga residual nos músculos, porém, não é forte o bastante para gerar as adaptações de força e velocidade máxima da Zona 5.

Consequentemente, você fica estagnado. Você corre rápido demais para construir uma base aeróbica sólida e chega sempre cansado demais para fazer os treinos de alta intensidade que realmente aumentariam o seu pace.

A Mágica da Zona 2 na Corrida

A ciência esportiva moderna, liderada por pesquisadores como Stephen Seiler, provou que a elite mundial (desde maratonistas quenianos até ciclistas do Tour de France) treina de uma forma completamente diferente. Eles usam o modelo do Treino Polarizado (ou Regra 80/20).

Isso significa que cerca de 80% do volume total semanal deles é feito em intensidade muito baixa, especificamente na Zona 2 na corrida.

Quando você treina nessa zona de conforto (onde você consegue conversar frases completas sem perder o fôlego), o seu corpo foca em adaptações estruturais silenciosas, mas poderosas:

  • Aumento do número e tamanho das mitocôndrias (as usinas de energia das células).
  • Maior densidade capilar nos músculos (melhorando o transporte de oxigênio).
  • Aumento da eficiência em oxidar gordura como combustível primário, poupando o glicogênio.

Você não sente a “queimação” nas pernas, portanto, o seu cérebro acha que o treino foi fraco. Mas o seu motor aeróbico está crescendo absurdamente.

Faça o Difícil: Corra Devagar

O verdadeiro desafio de focar na Zona 2 na corrida não é físico, é mental. Exige uma disciplina brutal aceitar que o seu relógio vai marcar um pace (ritmo) muito mais lento do que você está acostumado a postar no Instagram.

Entretanto, é exatamente essa fundação aeróbica gigantesca, construída sem fadiga excessiva, que vai permitir que você execute os 20% restantes do seu treino (os tiros na Zona 5) com uma qualidade e uma explosão que você nunca teve.

Se você quer quebrar os seus recordes pessoais neste semestre, aprenda a correr devagar.

Você sabe exatamente qual é a sua frequência cardíaca real de Zona 2 ou está apenas “chutando” o ritmo?

Pare de colecionar quilômetros na zona errada. Venha para a Consultoria Lauro Xavier, descubra as suas zonas de treino reais e destrave a sua corrida.


Referências Bibliográficas

  1. Seiler, S. (2010). What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes? International Journal of Sports Physiology and Performance. (O artigo fundador sobre a eficácia do treino polarizado 80/20).
  2. Laursen, P. B. (2010). Training for intense exercise performance: high-intensity or high-volume training? Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports.
  3. Esteve-Lanao, J., et al. (2007). Impact of training intensity distribution on performance in endurance athletes. Journal of Strength and Conditioning Research. (Comprova que atletas que passam mais tempo na Zona 1 e 2 superam aqueles que focam na intensidade moderada constante).

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