No nosso último artigo, conversamos sobre o paradoxo de correr devagar (a famosa Zona 2) para construir sua base aeróbia. Mas se você quer realmente baixar seu tempo nos 5km, 10km ou na Maratona, ter apenas resistência não basta. Você precisa de potência.
É aqui que entra o temido, odiado e essencial Treino Intervalado (ou, como chamamos carinhosamente, o “Treino de Tiro”).
Muitos corredores fogem desse treino porque ele dói. Outros fazem, mas executam da pior maneira possível: saem correndo no máximo que aguentam no primeiro tiro, quebram no terceiro e se arrastam até o final.
Hoje, vou te ensinar a matemática e a fisiologia por trás do tiro perfeito. Na metodologia Lauro Xavier, não treinamos para vomitar na pista; treinamos para voar na prova.
O que o Treino Intervalado faz com o seu corpo?
Enquanto a Zona 2 constrói o tamanho do seu “tanque de combustível”, o treino intervalado (Zonas 4 e 5) aumenta a potência do seu “motor”.
Cientificamente, buscamos duas adaptações principais:
- Aumento do VO2 Máx: É a capacidade máxima do seu corpo de captar, transportar e usar oxigênio durante o exercício. Quanto maior seu VO2 Máx, mais rápido você consegue correr antes de entrar em fadiga extrema.
- Economia de Corrida e Biomecânica: Quando você corre rápido, seu corpo é forçado a recrutar mais fibras musculares (as de contração rápida) e a melhorar sua mecânica (aumentando a amplitude da passada e a reatividade do pé no chão). Você literalmente aprende a correr de forma mais plástica e eficiente.
O Erro do “All-Out” (Tudo ou Nada)
O erro número 1 do corredor amador na pista de atletismo ou no asfalto é confundir Treino Intervalado com Sprint de 100 metros rasos.
Se a sua planilha pede 8 tiros de 400 metros, o objetivo não é fazer o primeiro tiro em 1min20s e o oitavo em 2min00s porque você “morreu”. O segredo do intervalado é a Consistência.
Seu ritmo deve ser desafiador, mas sustentável o suficiente para que o último tiro seja feito no mesmo tempo (ou ligeiramente mais rápido) que o primeiro. Isso exige autoconhecimento e controle de pace. Se você sobrou muito no final, foi fraco demais. Se quebrou no meio, foi forte demais.
O Descanso é tão importante quanto o Tiro
No Treino Intervalado, o intervalo não é “pausa para olhar o celular”. Ele faz parte da adaptação fisiológica.
Existem dois tipos principais de recuperação que prescrevo na consultoria:
- Recuperação Ativa (Trote leve ou caminhada): Ajuda a “lavar” o ácido lático (lactato) da musculatura mais rápido, preparando a perna para o próximo estímulo. Muito usado em tiros longos (ex: 1.000m).
- Recuperação Passiva (Parado): Permite que o sistema nervoso central e a frequência cardíaca baixem mais, ideal para tiros curtos e de altíssima intensidade (ex: 200m), onde o foco é potência pura.
Respeite o cronômetro do descanso. Se a planilha pede 1 minuto, não descanse 2 só porque está cansado. É exatamente na recuperação incompleta que o seu corpo é forçado a se adaptar e melhorar.
O Aquecimento é Lógica, não Opção
Nunca, em hipótese alguma, comece um treino de tiro sem um excelente aquecimento. Sair do zero para a velocidade máxima com os músculos frios é a receita perfeita para um estiramento na panturrilha ou na posterior de coxa.
Faça pelo menos 15 a 20 minutos de trote muito leve (Zona 1/2), seguido de alguns exercícios de técnica de corrida (educativos) para “acordar” o sistema neuromuscular antes de soltar os cachorros.
Seus tiros estão te deixando mais rápido ou apenas mais cansado?
Pare de chutar seus ritmos. Venha para a Consultoria Lauro Xavier e receba uma planilha com seus paces de tiro exatos, baseados na sua fisiologia.
Referências Bibliográficas
- Billat, V. L. (2001). Interval training for performance: a scientific and empirical practice. Sports Medicine.
- Buchheit, M., & Laursen, P. B. (2013). High-intensity interval training, solutions to the programming puzzle: Part I: cardiopulmonary emphasis. Sports Medicine.
- Midgley, A. W., et al. (2006). The relationship between the time spent at VO2max and the physiological responses to high-intensity interval training.





