Suco de beterraba: mito ou ciência?

O “pré-treino natural” que virou moda

Nos últimos anos, o suco de beterraba ganhou fama entre corredores, ciclistas e triatletas.
Promete melhorar a performance, reduzir a fadiga e até “aumentar o fôlego”.
Mas será que isso é ciência ou marketing?

A boa notícia é: existe ciência por trás — mas ela tem contexto, dose e limite.


O que faz da beterraba algo especial

A beterraba é rica em nitratos inorgânicos (NO₃⁻), substâncias que, ao serem metabolizadas no corpo, se transformam em óxido nítrico (NO).
O óxido nítrico tem papel fundamental na performance:

  • Dilata os vasos sanguíneos, melhorando a entrega de oxigênio e nutrientes aos músculos.
  • Reduz o custo energético do movimento, tornando o exercício mais eficiente.
  • Ajuda no controle da pressão arterial e na recuperação muscular.

👉 Em outras palavras: o suco de beterraba faz o corpo trabalhar com menos esforço para a mesma intensidade.


O que dizem os estudos

Vários estudos mostraram benefícios reais, principalmente em esportes de endurance:

  • Melhora da economia de corrida e pedal (menor consumo de oxigênio para a mesma potência).
  • Aumento do tempo até a exaustão em exercícios de alta intensidade.
  • Pequeno ganho de performance em provas de curta e média duração (5 a 30 minutos de esforço contínuo).

Por outro lado, os efeitos são menores em atletas altamente treinados, que já têm um sistema cardiovascular muito eficiente.

👉 Ou seja: os maiores benefícios aparecem em atletas amadores e intermediários.


Como usar na prática

  • Dose eficaz: 400–600 mg de nitrato (equivalente a cerca de 500 ml de suco de beterraba concentrado).
  • Timing: 2 a 3 horas antes do treino ou prova.
  • Frequência: pode ser usado pontualmente (pré-prova) ou de forma contínua por 5–7 dias para melhores resultados.

💡 Existem versões concentradas em shot (como Beet It), que facilitam a ingestão da dose ideal sem precisar beber meio litro de suco.


Dicas importantes

  • Evite escovar os dentes imediatamente antes ou depois, pois o uso de antissépticos bucais reduz a conversão de nitrato em óxido nítrico (ela começa na boca!).
  • Mantenha boa hidratação — o efeito vasodilatador depende do volume sanguíneo.
  • Se for usar antes de uma prova, teste primeiro nos treinos para avaliar tolerância gastrointestinal.

“Mas tem algum risco?”

A beterraba é um alimento seguro, mas pode causar coloração avermelhada na urina e nas fezes — algo normal e inofensivo.
O único cuidado é com pessoas que têm pedras nos rins, pois a beterraba é rica em oxalato.


Conclusão

O suco de beterraba não é milagre, mas é uma das estratégias naturais mais bem comprovadas para quem busca melhorar a performance de forma segura e acessível.

Para o atleta amador, ele pode ser o empurrãozinho necessário para aumentar a resistência, retardar a fadiga e melhorar o rendimento.

👉 Funciona, sim — desde que usado da forma certa, no contexto certo.


Referências bibliográficas

  1. Jones, A. M. (2014). Dietary nitrate supplementation and exercise performance. Sports Medicine, 44(Suppl 1), S35–S45.
  2. Larsen, F. J., et al. (2010). Dietary nitrate reduces the oxygen cost of submaximal exercise and enhances tolerance to high-intensity exercise in humans. Journal of Applied Physiology, 107(4), 1144–1155.
  3. Cermak, N. M., Gibala, M. J., & van Loon, L. J. C. (2012). Nitrate supplementation’s improvement of 10-km time-trial performance in trained cyclists. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, 22(1), 64–71.
  4. Jones, A. M., & Vanhatalo, A. (2017). The control of oxygen consumption and energy supply during exercise: the physiological basis of endurance performance. European Journal of Sport Science, 17(1), 1–10.

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