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O “Longão”: O Treino Mais Importante (e Mais Incompreendido) da Maratona

Se você perguntar a qualquer maratonista qual é o treino mais importante da semana, a resposta será unânime: o Longão de sábado.

É o ritual sagrado. Acordar cedo, encontrar os amigos, rodar 18km, 24km, 30km… e depois tomar aquele café da manhã reforçado.

Mas, fisiologicamente falando, você sabe para que serve o longão? Muitos corredores acham que é apenas para “provar que aguentam a distância”. E é aí que o erro acontece. Eles transformam o treino longo em uma simulação de prova, correndo forte do início ao fim, terminando exaustos e com a imunidade no chão.

Hoje, vamos dissecar a ciência do Longão e como fazê-lo do jeito Lauro Xavier.

1. A Fisiologia: Construindo Rodovias Internas

O objetivo principal do treino longo (acima de 90 minutos) não é velocidade. É eficiência. Quando você corre em baixa intensidade por muito tempo, seu corpo é forçado a realizar adaptações estruturais:

  • Aumento das Mitocôndrias: As usinas de energia das células se multiplicam e ficam maiores.
  • Capilarização: Seu corpo cria novos “vasos sanguíneos” microscópicos ao redor dos músculos, melhorando a entrega de oxigênio.
  • Metabolismo de Gordura: Com o glicogênio baixando após 1h30 de treino, o corpo aprende a acessar a gordura como combustível de forma mais eficiente (o que é vital para não quebrar no km 35 da maratona).

Se você corre o longão rápido demais (acima do Limiar Anaeróbio), você sabota essas adaptações e gera apenas fadiga acumulada.

2. O Laboratório de Testes (Gear & Gut)

O Longão é o ensaio geral da peça de teatro. É o dia de testar tudo o que você vai usar na prova alvo:

  • Nutrição (Gut Training): Aquele gel de carboidrato cai bem no estômago depois de 2 horas correndo? A única hora de descobrir é agora.
  • Equipamento: A meia nova dá bolha? O top assa? O tênis de placa aperta o dedinho depois do km 15?
  • Hidratação: Como você vai carregar sua água ou onde vai parar para beber?

Regra de Ouro: Nada novo no dia da prova. O erro que você comete no longão vira aprendizado. O erro na prova vira abandono.

3. A Cabeça de Maratonista

Correr 30km sozinho ou com um grupo exige foco. Haverá momentos de tédio. Haverá momentos de dor. Haverá a vontade de parar. O longão treina sua resiliência mental. Ele ensina seu cérebro a ficar confortável com o desconfortável. Quando você termina um treino de 28km, sua confiança para os 42km sobe drasticamente. Você visualiza a medalha.

O Erro Clássico: “Garbage Miles” (Quilometragem Lixo)

Cuidado com a obsessão pelo número redondo no Strava. Se sua planilha pede 24km, não faça 26km só para “arredondar” ou para ganhar do amigo. Esses 2km extras, feitos com a mecânica já cansada, aumentam exponencialmente o risco de lesão.

Na minha metodologia, o volume do longão é calculado milimetricamente para gerar o estímulo certo sem quebrar o atleta para a semana seguinte. Se você termina o longão de sábado e não consegue andar na segunda-feira, a intensidade estava errada.

O Longão deve te deixar cansado, não destruído.

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Referências Bibliográficas

  1. Seiler, S. (2010). What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes? International Journal of Sports Physiology and Performance.
  2. Hawley, J. A. (2002). Adaptations of skeletal muscle to prolonged, intense endurance training. Clinical and Experimental Pharmacology and Physiology.
  3. Jeukendrup, A. E. (2017). Training the Gut for Athletes. Sports Medicine.

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