Por que entender isso faz diferença
Se você já teve dor no joelho, panturrilha ou posterior de coxa, provavelmente o problema não foi “falta de força” — mas falta de controle na força.
É aqui que entra o movimento excêntrico: a fase do exercício em que o músculo alonga enquanto resiste à carga.
👉 Exemplo: quando você desce no agachamento ou controla a perna na aterrissagem de uma corrida, está trabalhando de forma excêntrica.
O que é movimento excêntrico
Nos treinos de força, o músculo pode trabalhar de três formas:
- Concêntrico: quando encurta (ex.: subir o peso).
- Isométrico: quando mantém a posição.
- Excêntrico: quando alonga resistindo à carga.
No endurance, a fase excêntrica está em todo o impacto da corrida.
É o que mais exige dos músculos — e também o que mais os fortalece quando bem treinado.
Por que o trabalho excêntrico previne lesões
- Fortalece tendões e tecido conjuntivo, deixando o corpo mais resistente a impactos repetitivos.
- Melhora o controle neuromuscular, reduzindo movimentos “bruscos” e desequilibrados.
- Aumenta a tolerância à carga, o que significa menos dor e mais estabilidade em treinos longos.
- Melhora a absorção de impacto, essencial na corrida e nos treinos de descida.
👉 Pense no movimento excêntrico como o “amortecedor do corpo”: se ele não estiver bem ajustado, a estrutura sofre.
Como aplicar o excêntrico nos treinos de endurance
1. No treino de força
Use variações com fase de descida mais lenta (3–4 segundos).
Exemplos:
- Agachamento com descida controlada.
- Stiff com pausa antes de subir.
- Flexora ou mesa romana com ênfase na volta.
2. Na corrida
- Inclua descidas controladas (sem travar o movimento).
- Faça educativos de aterrissagem e saltos leves para fortalecer a absorção.
3. Na bike
- Trabalhe em rolos com mudanças de cadência e resistência leve a moderada.
- Treine o controle de força no final da pedalada, onde o quadríceps trabalha de forma excêntrica.
Frequência ideal
1–2 sessões por semana já são suficientes.
É importante introduzir aos poucos, pois o excêntrico gera mais microlesões musculares (a famosa “dor tardia”).
Com o tempo, o corpo se adapta e fica muito mais resistente.
Erros comuns
❌ Fazer o movimento rápido demais e perder o controle.
❌ Focar só na fase concêntrica (subir peso) e ignorar a descida.
❌ Evitar o excêntrico por medo da dor muscular — é justamente essa adaptação que protege contra lesões.
Perguntas rápidas
Posso fazer treino excêntrico se já estou com dor?
Não. Primeiro estabilize o quadro com exercícios leves, depois reintroduza o excêntrico progressivamente.
Ele melhora a performance ou só previne lesão?
Ambos. Atletas que controlam bem a fase excêntrica gastam menos energia por movimento e têm melhor economia de corrida.
Quanto tempo até ver resultado?
Em 3 a 4 semanas de prática constante já é possível sentir mais controle e estabilidade.
Conclusão
O movimento excêntrico é o elo entre força e controle.
Para o atleta amador, treinar essa fase significa correr, pedalar ou nadar com menos dor, mais eficiência e mais segurança.
Não é sobre levantar mais peso — é sobre controlar melhor cada movimento.
👉 Quer evoluir com segurança? Inclua o excêntrico de forma consciente no seu treino de força e sinta a diferença nas próximas semanas.
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