Creatina no endurance: ajuda ou atrapalha?

A dúvida que todo atleta já teve

Quando se fala em creatina, muita gente pensa em academia, ganho de massa e explosão muscular.
Mas e para quem corre, pedala ou faz triathlon?
Será que a creatina atrapalha o desempenho aeróbio — ou pode ser uma aliada estratégica no endurance?

A resposta é clara: ajuda, desde que usada com propósito.


O que é a creatina e como ela age

A creatina é uma substância natural, produzida pelo corpo e obtida também pela alimentação (principalmente carnes e peixes).
Ela é armazenada nos músculos na forma de fosfocreatina, e sua função é regenerar rapidamente o ATP, a principal moeda de energia celular.

👉 Em outras palavras, a creatina ajuda o músculo a produzir energia mais rápido em momentos de alta demanda.


“Mas endurance não é esforço longo?”

Sim. Mas mesmo nas provas longas, há inúmeros momentos de esforço intenso:

  • Subidas curtas e explosivas.
  • Ultrapassagens.
  • Tiros de ritmo.
  • Transições rápidas no triathlon.

Em todos esses momentos, o sistema de energia da fosfocreatina é ativado — e ter mais dela disponível significa mais potência e eficiência.


Benefícios da creatina no endurance

  1. Melhora na tolerância à fadiga
    A creatina ajuda a tamponar íons de hidrogênio (H⁺), reduzindo a acidose muscular e retardando a queda de performance.
  2. Aumento da força e da eficiência muscular
    Músculos mais fortes e resistentes significam menor custo energético por movimento — e, portanto, melhor economia de corrida.
  3. Melhor recuperação
    O uso contínuo de creatina acelera a reposição de energia e a regeneração celular após treinos longos ou intensos.
  4. Proteção contra perda de massa magra
    Durante ciclos de alto volume, a creatina ajuda a preservar massa muscular, especialmente em atletas com dietas restritas.

“Mas e o peso?”

Um dos mitos mais comuns é que a creatina faz reter líquido e piora a performance.
Na verdade, o que ocorre é uma hidratação intracelular, que melhora o ambiente metabólico do músculo.
O aumento de peso (geralmente de 0,5 a 1,5 kg) é leve e não impacta negativamente o desempenho.

👉 Para atletas de endurance, esse ganho é muito menor que o benefício em força, resistência e recuperação.


Como usar na prática

  • Dose padrão: 3 a 5 g por dia, todos os dias (inclusive em dias sem treino).
  • Momento: qualquer hora do dia, mas o uso pós-treino com refeição rica em carboidratos e proteína favorece a absorção.
  • Duração: uso contínuo (não há necessidade de pausas).

⚠️ Importante: use apenas creatina monohidratada pura e de boa procedência.


Quem deve evitar

  • Pessoas com doença renal diagnosticada (sempre com orientação médica).
  • Atletas que ainda não mantêm uma rotina regular de hidratação adequada.

Conclusão

A creatina não é só para fisiculturistas — ela é uma ferramenta poderosa também para o endurance.
Ao melhorar a regeneração energética, o controle do pH e a força muscular, ela contribui para uma performance mais estável e sustentável.

👉 No endurance, o segredo não é resistir mais — é resistir melhor.
E a creatina pode ser uma grande aliada nesse processo.


Referências bibliográficas

  1. Forbes, S. C., Candow, D. G., Ostojic, S. M., Roberts, M. D., & Chilibeck, P. D. (2021). Creatine supplementation during endurance training: physiological adaptations and performance outcomes. Nutrients, 13(3), 1111.
  2. Bemben, M. G., & Lamont, H. S. (2005). Creatine supplementation and exercise performance: recent findings. Sports Medicine, 35(2), 107–125.
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