Creatina e Carboidratos na Corrida: O Que a Ciência Diz (E o Que Funciona na Prática)

Você treinou as rodagens, fez os intervalados, fortaleceu a musculatura. Mas chega no km 32 da Maratona e o “muro” aparece. As pernas pesam, a energia some e o ritmo quebra.

Na grande maioria dos casos, a culpa não é do treino físico. É do tanque de combustível.

A nutrição para endurance evoluiu muito nos últimos 5 anos. Não se trata mais apenas de “comer macarrão na véspera”. Hoje, falamos de precisão metabólica. Neste artigo, vou desmistificar dois gigantes da nutrição esportiva: a Creatina e o Carboidrato.

1. Creatina para Corredores: Mito ou Aliada?

Por anos, corredores fugiram da creatina com medo do ganho de peso (retenção hídrica). “Vou ficar pesado e lento”, diziam.

A ciência atual mostra o contrário.

A creatina é fundamental para a ressíntese rápida de energia (ATP). Embora a maratona seja aeróbia, os momentos cruciais — a largada, as ultrapassagens, as subidas e o sprint final — dependem de energia rápida. Além disso, estudos indicam que a creatina ajuda na preservação do glicogênio muscular e na recuperação pós-treino, reduzindo a inflamação.

E o peso? A retenção de líquido é intracelular (dentro do músculo), o que na verdade favorece a hidratação e a termorregulação em provas quentes.

2. A Matemática do Carboidrato (O “Fueling”)

O erro número 1 do corredor amador é subestimar o consumo de gel durante a prova.

Nosso corpo tem um estoque limitado de glicogênio. Se você corre uma Meia Maratona ou Maratona apenas com água, seu tanque vai secar. A estratégia de ouro envolve treinar o intestino (gut training) para suportar a ingestão de carboidratos em alta intensidade.

As diretrizes atuais sugerem:

  • Até 1h de treino: Apenas água ou bochecho com carboidrato.
  • 1h a 2h de corrida: 30g a 60g de carboidrato por hora.
  • Acima de 2h (Maratonas/Ultras): Até 90g de carboidrato por hora (exige mistura de glicose e frutose para absorção).

Atenção: Não tente ingerir 90g/hora na prova se você nunca fez isso no treino. O resultado será desconforto gástrico. Nutrição também se treina.

3. “Train Low, Compete High”: A Estratégia Avançada

Aqui entra a personalização que aplicamos na Consultoria. Nem todo treino precisa ser feito com o “tanque cheio”.

A estratégia Train Low consiste em realizar alguns treinos específicos com baixa disponibilidade de glicogênio. O objetivo não é performance naquele dia, mas sim forçar o corpo a se tornar mais eficiente em queimar gordura como fonte de energia.

Assim, quando você chegar na prova e fizer o Compete High (tanque cheio), seu corpo terá duas vias energéticas superpotentes: a da gordura e a do carboidrato. É a tal da “flexibilidade metabólica”.

4. Hidratação além da Água

Por fim, não esqueça dos eletrólitos. Beber apenas água pura em excesso durante 4 horas de prova pode levar à hiponatremia (baixa concentração de sódio), que é perigosa e derruba a performance. Cápsulas de sal ou bebidas isotônicas calculadas para a sua taxa de sudorese são essenciais no calor do Brasil.

Nutrição é Individual

O que funciona para o Eliud Kipchoge pode não funcionar para você. Seu peso, sua taxa de suor e sua tolerância gástrica são únicos.

Nos nossos planos personalizados integramos o treinamento físico com o planejamento nutricional porque sabemos que um corpo forte sem combustível não chega longe.

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Referências Bibliográficas

  1. Kreider, R. B., et al. (2017). International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine.
  2. Burke, L. M., et al. (2011). Carbohydrates for training and competition. Journal of Sports Sciences.
  3. Jeukendrup, A. E. (2014). A step towards personalized sports nutrition: carbohydrate intake during exercise. Sports Medicine.

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