Além do Pace: Como Usar Dados do GPS para Evoluir de Verdade

Hoje em dia, é raro ver um corredor de rua sem um relógio com GPS no pulso. Temos acesso a uma quantidade absurda de dados: oscilação vertical, tempo de contato com o solo, VO2 máx estimado, body battery, e por aí vai.

Mas a pergunta que eu faço é: você controla os dados ou os dados controlam você?

Muitos corredores caem na armadilha de olhar apenas para o “Pace Médio” ao final do treino e postar no Strava. Se o número foi baixo, o treino foi “bom”. Se foi alto, o treino foi “ruim”.

Essa visão simplista impede sua evolução. Na metodologia Lauro Xavier, usamos a tecnologia para ajustar a carga, não para massagem de ego. Hoje, vou te ensinar a olhar para 3 métricas que realmente importam.

1. Cadência (Passos por Minuto)

A cadência é o número de vezes que seus pés tocam o solo em um minuto. Existe um mito antigo do “número mágico de 180 ppm”. Embora seja uma boa referência de elite, não é uma regra fixa para todos.

Porém, uma cadência muito baixa (abaixo de 160-165 ppm para a maioria) geralmente indica uma passada muito longa (overstriding). Isso significa que você está aterrissando com o pé muito à frente do corpo, “freiando” o movimento e aumentando drasticamente o impacto no joelho e quadril.

  • Dica Prática: Tente aumentar sua cadência em 5%. Passos mais curtos e rápidos melhoram a economia de corrida e reduzem o risco de lesão.

2. Frequência Cardíaca (A Carga Interna)

O Pace é a Carga Externa (o que você produziu). A Frequência Cardíaca (FC) é a Carga Interna (quanto custou para seu corpo produzir aquilo).

Se num dia de 30°C você tenta manter seu pace de 5:00 min/km e sua FC sobe 15 batimentos acima do normal, seu corpo está sofrendo um desgaste desproporcional.

Monitorar a FC ajuda a garantir que os “treinos leves” sejam realmente leves (para recuperar e criar base aeróbia) e os “treinos fortes” atinjam a zona correta. Se você treina sempre no “meio termo” (a famosa Zona Cinzenta), você platô e não evolui.

3. A Armadilha do Strava (Comparação Social)

O Strava é uma ferramenta incrível de comunidade, mas péssima para prescrição de treino se você não tiver maturidade.

Vejo corredores transformando treinos regenerativos em provas de 5km só para não postar um pace “lento” no feed. Isso destrói sua periodização. O corpo precisa de dias lentos para absorver o treino forte.

Lembre-se: Medalha de treino não existe. O que vale é a linha de chegada da sua prova alvo.

O Papel do Treinador na Era dos Dados

Ter o dado é fácil. O difícil é o contexto. O seu relógio pode dizer que você está “Destreinando” ou “Improdutivo” porque você descansou dois dias seguidos. Mas talvez esse descanso fosse exatamente o que seu corpo precisava para não lesionar.

Na minha consultoria, usamos sistemas integrados (como o SisRun) onde eu recebo seus dados automaticamente. Minha função é cruzar o que o relógio diz com o que você me diz (cansaço, estresse, sono) e ajustar a rota.

Tecnologia é ferramenta. O piloto é você (comigo no rádio).

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Referências Bibliográficas

  1. Halson, S. L. (2014). Monitoring Training Load to Understand Fatigue in Athletes. Sports Medicine.
  2. Heiderscheit, B. C., et al. (2011). Effects of step rate manipulation on joint mechanics during running. Medicine and Science in Sports and Exercise.
  3. Foster, C. (1998). Monitoring training in athletes with reference to overtraining syndrome. Medicine and Science in Sports and Exercise.

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